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23 dezembro, 2011

O peixe agora é federal

(Matéria antiga, postada em 23.12.01)


Romário de Souza Faria, o renomado ex-jogador de futebol agora é deputado federal. Eleito pelo estado do Rio de Janeiro, com 150 mil votos, iniciou seu mandato em fevereiro deste ano e assumiu para a imprensa que não entende nada de política. E mais, disse que não vai abrir mão das noitadas.

Com 44 anos, Romário é casado pela terceira vez e tem seis filhos, sendo um deles a caçula Ivy, que é portadora da síndrome de Down. O pai de família responde despreocupadamente sobre a profissão atual dizendo que vai fazer exatamente como no futebol. “Nunca gostei de treinar nem de ficar em concentração”, afirmou Romário quando questionado se está preparado para ser deputado federal. Ele também afirmou que nunca gostou de estudar e acha que isso não fará diferença para desempenhar seu cargo público porque tem boas idéias. Até arriscou a dar sua definição de socialismo: “Justiça social para todos. Mas não só para os pobres. Para os ricos também”.

O deputado federal contou que antes de se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) já tinha vontade de entrar para a política. Romário não procurou o PSB, mas foi convidado pelo partido. “Acho que é porque eu sou famoso”, disse Romário. A campanha segundo ele “foi barata”, custou menos de 200 mil reais. O que o mais incomodou durante o período de divulgação de sua candidatura foi não poder acordar por volta de 1h da tarde, como de costume.

Agora eleito e em pleno mandato, pretende batalhar por melhores condições para o esporte e para crianças com deficiências, como sua filha. Romário não costumava ser assíduo nos treinos e até era chamado de turista pela imprensa. Agora, quanto a freqüentar o trabalho, ficará em Brasília “de terça à quinta-feira como os outros, nada mais do que isso”. E nem cogita se mudar do Rio de Janeiro porque não quer abandonar o futevôlei, a “pelada” com os amigos e as saídas noturnas.

Além do apelido de peixe, Romário também é conhecido como baixinho, e dos esquentados. Ao falar sobre seu temperamento, disse que durante a campanha se controlou e até deixou de “xingar muita gente”, como foi o caso de uma senhora que perguntou se ele continuaria roubando do povo. A solução foi respirar fundo, contar até três, e responder de maneira contida “nunca fui político antes, como poderia ter roubado o povo?”. Agora que o cargo já está garantido, o ex-craque não promete ser tão educado e diz que não vai deixar de reagir a provocações só porque está no Congresso Nacional.

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