
Andreza Cruz
Deysiane Marques
Deysiane Marques
Vinte e cinco dias após a portaria publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), proibir o comércio, prescrição e exportação de medicamentos reguladores de apetite à base de anfetamina, pouco se fala na mídia sobre o impacto que isso irá causar aos usuários.
Os remédios foram proibidos devido aos efeitos colaterais provocados nas pessoas como problemas cardíacos e alterações no sistema nervoso central. Outro motivo seria a baixa eficácia no tratamento de perda de peso. A ANVISA manteve a comercialização dos remédios à base de sibutramina, porém de forma mais restrita.
O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de Minas Gerais, Paulo Augusto Miranda, informa que esses medicamentos já faziam parte de um arsenal restrito e que alguns pacientes que tinham boa resposta ao seu uso, ficarão sem uma opção de tratamento.
“Apesar de usados há mais de 30 anos, os medicamentos derivados da anfetamina não tem uma base de evidência de uso de longo prazo como a sibutramina”, afirma Paulo Augusto. O presidente também explica que os reguladores de apetite a base de sibutramina podem ser usados por até um ano, enquanto os a base de anfetamina não podem ser utilizados por mais de quatro meses sob o risco de induzirem a dependência.
No entanto, alguns pacientes podem não se adaptar ao tratamento a base de sibutramina. Paulo Augusto afirma que a substância é tolerada e eficaz para uma parcela dos pacientes, porém, algumas pessoas não respondem bem a nenhum tratamento farmacológico. Nestes casos os pacientes terão que se envolver mais no tratamento e a equipe de saúde terá que fazer esforços redobrados para ajudá-lo seguir as orientações para alcançarem bons resultados.
O grande problema encontrado é que além da sibutramina, o mercado conta apenas mais uma medicação aprovada para o tratamento da obesidade. “Ambas tem efeitos limitados e não conseguem atingir todos os objetivos do tratamento”, conclui o presidente.
O secretário adjunto da Regional Minas Gerais, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Rosalvo Reis, revela que estimativas globais apontam para a atual existência de um bilhão de indivíduos com excesso de peso e 315 milhões com obesidade.
Quem sofre do excesso de peso, seja por cuidado com a saúde ou por aspectos estéticos, geralmente já recorreu a diversas opções para emagrecer, incluindo a utilização de remédios à base de anfepramona, femproporex e mazindol, agora proibidos.
Esse é o caso da dona de casa Glória Alves do Carmo, 35. Ela disse que sempre foi obesa, mas depois da gravidez a situação piorou. Ela chegou a fazer um controle de peso, e simultaneamente, contou com a ajuda de medicamentos para inibir a ansiedade, mas não obteve sucesso.
Não satisfeita, ela procurou o Ambulatório de Obesidade da Santa Casa de Belo Horizonte. Sob acompanhamento endocrinológico, Glória aprendeu a comer de forma balanceada, sem necessidade de medicamentos. “Hoje me alimento de três em três horas, e sempre em pequenas porções”, disse. Ela acrescenta que está muito feliz, pois agora já consegue perceber mudanças.
A responsável pela Academia Wadson Lima, que se identifica apenas como Iolanda, não acredita que a proibição de remédios para emagrecer irá aumentar a procura pelas academias. “Que eu saiba, nenhuma das pessoas que malham aqui usam medicamentos para emagrecer. A procura aqui continua a mesma”, afirmou.
(Matéria antiga, postada em 23.12.01)
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