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23 dezembro, 2011

Filme: “Pleasantville - A Vida em Preto e Branco”


Moralidade e ética são discutidas com nuances bem sutis, mas não pouco reflexivas neste filme. 

Através de uma onda de novas atitudes e costumes, numa cidade extremamente conservadora, o novo é considerado transgressão, e os primeiros a se adaptarem às mudanças se tornam imorais na concepção da sociedade.

No início do filme, dois adolescentes aparentemente sem muito conteúdo intelectual, brigam pelo controle remoto e vão parar misteriosamente dentro da televisão - um início bem simples e nada profundo que contrasta com o que está por vir.

Os dois vão parar numa cidade chamada Pleasantville, que numa tradução do inglês para o português significa “cidade agradável”. O lugar condiz com o nome, pois lá só existe o “melhor” de tudo e de todos. Um ambiente protegido magicamente do imprevisível e de tragédias de qualquer ordem. Um exemplo de sociedade pautada na moral. Ou até na amoralidade, uma vez que naquele lugar é impossível existir algo imoral.

Os adolescentes se cansam da previsibilidade e da maneira automática como tudo acontece, e começam literalmente a trazer cor para o filme, pois até então, Pleasantville é mostrada em preto e branco. A mudança dos costumes, até que sejam novos e consolidados costumes, passam por um certo tipo de rejeição coletiva, porque rompe-se a moral para que o novo possa se tornar aceitável. E este é um processo nada fácil, nada simples. Os que aceitam e começam a participar das mudanças, se pautaram em suas éticas para reivindicar e começam a ter cor, como se passassem agora a fazer parte da realidade.

Durante o desenrolar do filme, o preconceito aos “de cor” é um retrato do medo do novo. No início, a nova “onda colorida” era entendida como imoral, pois rompia com o comum. Da metade do filme em diante, isso muda e o novo passa a ser uma espécie de vanguarda. A arte, bem colorida, começa a ser utilizada como uma ferramenta de questionamento para chocar e transformar os costumes endurecidos. A leitura é adotada como maneira de se munir de conhecimento, embasar novos questionamentos e comprovar que a mudança é boa.

Em determinado momento, as pessoas são transformadas, a essência delas passa a compreender os novos conceitos, e o filme se colore por inteiro, representando um banho de realidade naquela sociedade, onde os indivíduos se respeitam, tornando-se também éticos, e não só morais como de início.
Apenas um dos jovens retorna a realidade e passa a aproveitar o conhecimento empírico, ético e moral, no seu dia-a-dia, a começar pela relação com a mãe.

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